A
região de Aparados da Serra abriga algumas das paisagens mais fascinantes
e misteriosas do país. Nas zonas de Mata de Araucária, os extensos
e frios Campos de Cima da Serra terminam de repente, sem transição,
formando penhascos de até 1.200 metros de altura, como se tivessem sidos
"aparados a fio de faca". Estes cânions são o testemunho
dos grandes derrames basálticos que ocorreram no período Triássico
- Jurássico (130 milhões de anos atrás), cobrindo quase
1.000 Km2 no sul do Brasil. Após ter passado por processos tectônicos
e erosivos, a paisagem dos Aparados da Serra acabou adquirindo um modelado de
características singulares, constituindo-se área única
no País.
O mais famoso dos cânions foi batizado pelos indígenas de Itaimbé
(Ita = pedra + aimbé = afiada, em Guarani). No Itaimbézinho, os
paredões de pedra impressionam pelo tamanho e verticalidade, onde quedas
d'água, como a Véu de Noiva, de 720 metros de altura, despencam
da garganta rochosa. Já o Fortaleza é considerado o maior cânion
da América Latina. São mais de 30 km de borda e seu pico vai a
1.190 metros, proporcionando imagens cinematográficas. É possível,
em dias e noites de céu limpo, avistar a orla marítima e a cidade
de Torres, distante mais de 30 km dali.
Para preservar estas paisagens tão bonitas e este ecossistema importante,
foram criados dois parques nacionais entre os municípios de Cambará
do Sul (RS) e Praia Grande (SC). Neste ponto, os cânions marcam a transição
do planalto serrano gaúcho à faixa litorânea de Santa Catarina.
O Parque Nacional Aparados da Serra abriga o Itaimbézinho, e no Parque
Nacional Serra Geral, além do Fortaleza, se encontram os cânions
do Malacara, Churriado e Faxinalzinho. Quando a Coroa Portuguesa decidiu abrir
caminho para ligar a Colônia de Sacramento ao centro do país, no
início do século XVIII, encontraram no topo dos Aparados da Serra
campos e pastagens admiráveis. Estas paisagens eram dominadas pelo gado
"xucro" (selvagem, não domesticado, na linguagem gaúcha),
conduzidos pelos índios tapes das aldeias Jesuíticas. Com o tempo,
estes infinitos campos tornaram-se fazendas pecuárias, que mantiveram
sua forte cultura gauchesca e tropeira. Mas hoje, suas porteiras se abrem aos
ecoturistas e aventureiros que buscam apreciar a natureza exuberante da região
e provar o calor da acolhida gaúcha. Embarque neste destino e não
irá se arrepender.
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Rota dos Ventos
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